SemAumento
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Guia de precificação

Cadastro de insumos e formação do preço final

Um passeio didático por Ingredientes, Embalagens, Taxas e Produção — mostrando exatamente como cada campo influencia o custo do produto e o preço de venda no SemAumento.

1. Fundamentos

O que são insumos e por que cadastrá-los corretamente

Insumo é tudo aquilo que entra na composição de um produto do seu cardápio: os ingredientes (matéria-prima), as embalagens em que o produto é entregue, as taxas incidentes na venda e os custos de produção (gás, energia, mão de obra, perdas). No SemAumento, cada um desses grupos tem um módulo próprio — e todos convergem na ficha técnica do produto, onde o custo é somado e o preço de venda é calculado.

Um cadastro incompleto ou desatualizado é a causa número um de margem errada. Se o preço de compra de um ingrediente muda e não é atualizado, o CMV que aparece na tela deixa de refletir a realidade — e o preço de venda calculado pode virar prejuízo silencioso.
2. Módulo Ingredientes

Cadastro de ingredientes campo a campo

O módulo Ingredientes é o coração da precificação. Cada campo tem um papel específico no cálculo:

  • Nome do ingrediente: identificação usada nas fichas técnicas. Seja específico (“Muçarela fatiada 1kg” em vez de só “Queijo”).
  • Unidade de compra: unidade em que você adquire o insumo do fornecedor (kg, litro, pacote, dúzia, unidade).
  • Preço de compra: valor pago pela unidade de compra. Esse é o valor bruto que será dividido pelo rendimento para chegar ao custo unitário real.
  • Rendimento: quanto efetivamente sobra do insumo após limpeza, descongelamento, cozimento ou porcionamento. Se você compra 1kg de alcatra e após aparar sobram 850g, o rendimento é 85%.
  • Unidade de consumo: unidade usada na receita (grama, ml, unidade). O sistema converte automaticamente da unidade de compra para a de consumo.
  • Custo por unidade de consumo: calculado pelo próprio SemAumento — é o valor que entra na ficha técnica sempre que aquele ingrediente é utilizado.
Exemplo prático

Muçarela fatiada em um hambúrguer

Preço de compra: R$ 45,00 / kg. Rendimento: 100% (não há perda). Custo por grama: R$ 45,00 ÷ 1.000 = R$ 0,045/g.

Se a receita usa 40g por hambúrguer, o custo do queijo naquela ficha é 40 × 0,045 = R$ 1,80.

Se o fornecedor sobe o preço para R$ 52,00/kg, basta atualizar o campo “preço de compra”: todas as fichas que usam muçarela recalculam o CMV automaticamente.

3. Módulo Embalagens

Cadastrando embalagens e incorporando o custo ao produto

A embalagem é um custo real por venda, mas muita gente esquece de incluí-la. No SemAumento, cada embalagem é cadastrada com nome, quantidade por pacote, preço do pacote e custo unitário — que é calculado automaticamente. Depois, você associa uma ou mais embalagens a cada produto na ficha técnica.

Exemplo prático

Marmita 750ml

Pacote com 100 marmitas por R$ 90,00 → custo unitário R$ 0,90. Tampa comprada à parte: R$ 30,00 por 100 unidades → R$ 0,30.

Sacola plástica delivery: R$ 15,00 por 100 → R$ 0,15. Total de embalagem por pedido: R$ 0,90 + R$ 0,30 + R$ 0,15 = R$ 1,35. Esse valor é somado ao CMV antes das taxas.

Produtos vendidos em canais diferentes podem usar embalagens diferentes (ex.: consumo no salão x delivery). Cadastre-as separadamente e associe conforme o canal para o custo refletir a realidade de cada operação.
4. Módulo Taxas

Taxas, impostos e custos variáveis na precificação

Taxas são todos os percentuais que incidem sobre o preço de venda: comissão de marketplace (iFood, Rappi), taxa de cartão, imposto (Simples/DAS), taxa de serviço, royalties, entre outros. Cada taxa é cadastrada com nome, tipo (percentual ou valor fixo) e valor/alíquota.

No SemAumento, as taxas nunca são aplicadas soltas: elas ficam agrupadas dentro de uma OT (Ordem Taxa). É a OT que você vincula ao produto — e é ela quem decide quais taxas entram no cálculo daquele item, em qual canal, em qual momento.

Para entender profundamente como as OTs funcionam (criação, vínculo individual ou em massa, múltiplas OTs por produto, taxas independentes), consulte o guia dedicado: O que é uma OT no SemAumento . Aqui tratamos apenas do papel das taxas dentro do fluxo de precificação — evitando duplicar o conteúdo.
Exemplo prático

OT ‘iFood — Cartão’

Comissão iFood: 23%. Taxa de cartão: 3,2%. Simples Nacional: 6%. Total de taxas na OT: 32,2% sobre o preço de venda.

Se o CMV + embalagem de um produto é R$ 12,00 e a margem-alvo é 25%, o SemAumento calcula o preço de venda que garante essa margem líquida depois de descontadas essas taxas — sem precisar usar planilha.

5. Módulo Produção

Custos de produção, perdas e rendimento

Alguns custos não aparecem em nenhuma nota fiscal de matéria-prima, mas existem: gás do fogão, energia elétrica, hora de mão de obra, desperdício natural. O módulo Produção permite cadastrar esses parâmetros e distribuí-los na receita.

  • Custo de produção por hora / por lote: valor de energia + gás + mão de obra dividido pelo volume produzido.
  • Perdas: percentual médio de itens descartados no processo (queima, corte errado, sobra que vai para o lixo). Aplicado sobre o CMV para refletir o custo real.
  • Rendimento da receita: quantas porções finais um lote produz. Essencial em pães, molhos, caldas e pré-preparos.
Exemplo prático

Molho de tomate da casa

Lote de 5kg produzido em 1h30. Custo de gás + energia + mão de obra do período: R$ 22,50. Custo de produção por kg de molho: R$ 4,50.

Se a pizza usa 120g de molho, entram na ficha 120 × 4,50/1000 = R$ 0,54 só de produção do molho — além do custo dos ingredientes que compõem a receita do próprio molho.

6. Ficha técnica e preço

Como tudo se conecta na formação do preço

A ficha técnica é onde tudo se encontra. Ao montar um produto, você adiciona:

  1. Os ingredientes e as quantidades usadas na receita.
  2. As embalagens associadas à venda.
  3. Os parâmetros de produção (perdas, custo por lote).
  4. A OT que agrupa as taxas do canal.
  5. A margem-alvo desejada.

Com esses dados, o SemAumento calcula:

Preço de custo = soma dos ingredientes (com rendimento) + embalagens + custo de produção + perdas.

Preço de venda = preço de custo aplicado à fórmula que garante a margem-alvo depois das taxas da OT.

Exemplo prático

Hambúrguer clássico no iFood

Ingredientes (blend, queijo, pão, molhos, salada): R$ 6,20.

Embalagens (caixa + sacola + guardanapo): R$ 1,10.

Produção (gás/energia/mão de obra rateados): R$ 0,90.

Perdas (3%): R$ 0,25.

Preço de custo total: R$ 8,45.

OT iFood-Cartão: 32,2% em taxas. Margem-alvo: 25%. Preço de venda sugerido pelo SemAumento: R$ 19,80 — garantindo os 25% líquidos após taxas.

7. Ordem correta

Fluxo completo de cadastro

Cadastre nesta ordem — cada etapa depende da anterior:

  1. 1
    Ingredientes
    Cadastre matéria-prima com preço, unidade e rendimento.
  2. 2
    Embalagens
    Registre todas as embalagens usadas por canal.
  3. 3
    Taxas
    Cadastre cada taxa individualmente (comissões, impostos, cartão).
  4. 4
    OT (Ordem Taxa)
    Agrupe as taxas conforme cenário (canal, forma de pagamento).
  5. 5
    Produção
    Configure custos de produção, perdas e rendimentos.
  6. 6
    Ficha técnica
    Monte a receita combinando ingredientes, embalagens e produção.
  7. 7
    Precificação
    Vincule a OT, defina a margem-alvo e obtenha o preço de venda.
8. Boas práticas

Mantendo a precificação sempre precisa

  • Revise preços de compra mensalmente — inflação de insumos come margem sem aviso.
  • Meça rendimento real ao menos uma vez por trimestre, especialmente proteínas.
  • Crie uma OT por canal e por forma de pagamento — não misture cenários.
  • Documente perdas por produto: 3% em fritura é muito diferente de 3% em confeitaria.
  • Sempre que renegociar com um fornecedor, atualize o cadastro no mesmo dia.

Comece pelo cadastro certo e o preço se resolve sozinho.

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